Brasil

Carro, coisa de mulher

Você sabia que as mulheres são responsáveis por 45% das compras de carros no país? Sim! E segundo estimativa publicada no boletim EconoMix Digital, da FecomercioSP, em 2011, cerca de 58% delas definem o modelo e a marca do automóvel da família. O resultado é parecido com o de sondagens feitas por grandes montadoras nos últimos anos: em média, o público feminino representa 40% do mercado.

Nada mais natural, portanto, que o setor se mova para atender às demandas desse grupo. “As montadoras começaram a incorporar itens como portas-trecos e espelhos. A adaptação ocorreu até em pequenos detalhes. Por exemplo: os câmbios não eram adequados para unhas compridas”, afirma Fábio Mariano, sócio-fundador da inSearch. Tais mudanças são fruto de estudos feitos pela indústria com as mulheres. “Elas têm olhar detalhista e se importam com itens como a maçaneta (para não quebrar a unha). Esse é um exemplo real de modificação de projeto”, diz o especialista em pesquisa de consumidor Vinícius Guimarães, da FCA. “As motoristas dão muita importância ainda ao Isofix, sistema para fixar a cadeirinha da criança ou bebê-conforto”, complementa o gerente de marketing intelligence Marcelo Fantini, também da FCA.

O estereótipo de que os homens são os que se importam com tecnologia não se sustenta, na avaliação dos dois profissionais da FCA. “Há variações, é certo, mas não existe um dado estatístico. Um componente que pode dar diferença é o Park Assist, da Bosch, que talvez chame mais atenção delas”, aponta Guimarães.

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As sondagens das montadoras indicam ainda que as consumidoras chegam bem informadas às lojas de automóveis. “Isso acontece muito por causa da internet, e pesquisas mostram que as mulheres usam mais redes sociais para obter informações do que homens”, comenta Bacellar, da KPMG. “Carro não é mais coisa de homem. Não estamos falando de conhecimento de especialista, mas elas têm informações sobre os produtos”, concorda Fantini, da FCA.

O mesmo se aplica à manutenção. As proprietárias de veículos frequentemente demandam explicações claras. “Hoje são as mulheres que estão pagando, têm poder de decisão e de abandonar uma empresa e espalhar notícias sobre um mau atendimento para toda sua rede de contatos. Se ela disser que foi maltratada, a oficina perde 50% do mercado, pois elas compram a briga”, declara Luiz Claudius, coordenador nacional de serviços automotivos do Sebrae.

Atentas e preparadas

Além do consumo, quase metade do público que busca cursos do Sebrae para gestão na área é mulher. “Muitas vezes, é a esposa quem administra e o marido cuida da parte técnica”, aponta Claudius. É exatamente o caso de Vera Lúcia Martins, da Oficina Tamborena, de São Leopoldo (RS), ligada à rede Bosch Car Service. “Quando começamos a crescer, meu marido, que é 100% técnico, me chamou para administrar a empresa, em 1993.” Silvana Vaz de Lima que também gerencia uma oficina e está prestes a completar 30 anos à frente da Só Freios Suprema — também da Bosch Car Service —, em Botucatu (SP).

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