Brasil

8

Vida Sustentável

Movidas a bicicletas

Por Claudia Boscoli, pela PrimaPagina

Diversão, meio de transporte e, por que não, fonte de um novo nicho de mercado. A adoção de bicicletas como alternativa de deslocamento nos grandes centros tem conquistado adeptos e ganhado papel de destaque na mobilidade urbana. Não é por acaso que cidades como Amsterdã, Berlim e Barcelona investiram nessa forma de locomoção.
Comparando com os exemplos europeus, o Brasil ainda engatinha, mas vem avançando. Nos últimos anos, algumas capitais ampliaram a infraestrutura voltada para a circulação de bicicletas. Rio de Janeiro, Brasília, Curitiba e São Paulo estão entre as que mais oferecem opções para quem pedala. E, de fato, há demanda por ciclovias, ciclofaixas e ciclorrotas. Pesquisas do Ibope, divulgadas em 2015, mostrou que 59% dos paulistanos são favoráveis à construção e ampliação de vias destinadas aos ciclistas, e que 44% usariam bike para transporte se houvesse mais segurança para os usuários.
Em 2014, outra pesquisa do mesmo instituto mostrou uma alta de 50% no número de ciclistas frequentes na capital paulista, na comparação com o ano anterior (de 174,1 mil para 261 mil), coincidindo com o incremento da malha cicloviávia na cidade, que atualmente é de 412,6 quilômetros. De acordo com a Abradibi, o Brasil é o terceiro maior produtor mundial de bicicletas e o quinto maior mercado consumidor, com uma frota estimada em 80 milhões de unidades. Com tanto potencial, não é de estranhar o surgimento de uma série de empreendimentos que têm nas "magrelas" o seu diferencial. São desde serviços de entrega até cafererias, passando por bike tours (passeios turísticos) e lojas de roupas e acessórios. Em comum, o investimento inicial baixo e a aposta na inovação e no ganho de cosciência dos consumidores, cada vez mais ligados a questões ambientais.

Pedalando a e-Bike

Pedalando a e-Bike

Teaser link icon
Saiba mais sobre a e-Bike

Saiba mais

Teaser link icon
Sobre e-bike

Vida Sustentável


Bike express

Um exemplo é a Pedal Express, de Porto Alegre. Valmir Cunha de Freitas, sócio, é um dos dez ciclistas que fazem entregas utilizando mochilas que comportam e quilos de carga, além de um bagageiro frontal, adaptado à bike, que expande a capacidade para 15 quilos. "Levamos tubos, pequenas máquinas, computadores, discos rígidos (HDs), comida congelada, roupas e sapatos", enumera.

Mesmo gostando de pedalar e tendo bastante prática, ele diz que dividir as ruas com os carros é desafiador. "As ciclovias que estão sendo feitas não nos contemplam. A malha cicloviária geralmente se preocupa em conectar parques", avalia. Além disso, a pintura vermelha fica escorregadia quando molhada, os semáforos específicos para bicicleta só abrem após duas fases inteiras para todos os cruzamentos de ruas, e o início e o fim das ciclovias geralmente se dão nas calçadas, onde é crescente: "Nosso cliente entende que a bicicleta é um meio de locomoção ágil, limpo e sem ruídos."
De olho no mercado, Mery Lunelli deu um passo além e, em vez de pensar em montar um negócio sobre duas rodas, idealizou um empresa que adapta as bicicletas para os negócios dos outros.
Proprietária da Moove, ela diz que realiza cerca de 200 adaptações por ano, com valores que variam de R$ 3.600 a R$ 20 mil. Por enquanto, os pedidos que mais recebe são por food bikes - bicicletas que servem para a venda de alimentos e bebidas. Mery explica que é possível colocar em uma bike desde vitrines e balcão para exposição até estufas, refrigeradores, coolers, caixas térmicas, fogões, fornos e fritadeiras.

2
e-Bike

Veja como funciona

Teaser link icon
Link e-bike

Dicas para pedalar sua bike

Teaser link icon
Link Pedaleria
Vida Sustentável
sebrae

Oportunidade em duas rodas


A mobilidade urbana deixou de ser tendência e já é uma realidade mundial.

Teaser link icon

Vida sustentável

Com alterações e acessórios desse tipo, as bicicletas têm ao menos duas vantagens em comparação aos food trucks: são mais baratas e podem ser estacionadas facilmente, sem atrapalhar o trânsito, ampliando a quantidade de locais onde se pode ganhar dinheiro. Essa estratégia atraiu o paulistano Guilherme de Oliveira, que buscava algo inovador e que demandasse baixo investimento. A intenção de montar o Oliver Brown Coffee Shop veio a partir de uma cafeteria móvel que ficava em frente à faculdade onde estudou, na Austrália, e de uma bike de paleta mexicana que chamou sua atenção. A primeira bike da empresa fica em endereço fixo na Vila Olímpia, na capital paulista. Mas deu tudo tão certo que o Oliver já conta com sistema de franquia e está presente também em Porto Alegre, Florianópolis, Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Brasília. “O retorno tem sido melhor do que imaginei”, conta Oliveira, que investiu R$ 7 mil na adaptação da primeira bicicleta.

Já na Coma Brauni, do Rio de Janeiro, a bike não é protagonista, mas uma coadjuvante importante. A loja de brownie e café, que vende on-line e em um food truck, também faz uso das food bikes. “A bicicleta nos socorre em eventos ou locais em que o trailer não pode entrar, como dentro de uma loja”, conta Renato Lagden, proprietário da empresa. A própria disseminação do uso de bicicletas gera oportunidades. Trata-se de um segmento tão promissor que o escritório paulista do Sebrae elaborou uma cartilha que orienta as empresas a mirarem esse nicho – a publicação enumera 30 possibilidades de empreendimentos, mapeadas de acordo com as necessidades do público que usa a bike como meio de transporte nas grandes cidades. São tendências que vieram para ficar, avalia Lagden, da Coma Brauni. “A criatividade na economia é mais que uma tendência: é a salvação do mundo”.

2

Compartilhar

Teaser link icon
Share matéria